Sede de Jornal Canal de Moçambique Incendiado com ‘Bombas Artesanais’

Sede de Jornal Canal de Moçambique Incendiado com ‘Bombas Artesanais’

No passado domingo, a sede do jornal semanário ‘Canal de Moçambique’ ficou praticamente inoperacional, com a explosão de bombas artesanais (cocktail molotov), que provocou um grande incêndio no edifício que alberga a publicação. As motivações ainda não são conhecidas, mas o certo é que Fernando Veloso, diretor do jornal, foi dos primeiros a comunicar o acontecimento: “às 20 horas deste domingo, isto é, há cerca de uma hora, incendiaram, com bombas artesanais (cocktail molotov) o Canalmoz/Canal de Moçambique. Ardeu completamente”, afirma.

Várias personalidades do país apressaram-se a condenar o ato, que o jornal classifica de um ataque terrorista. O FRELIMO, partido que suporta a governação do país, demarcou-se, logo no primeiro momento, do sucedido. Filipe Nyusi, Presidente da República e líder da FRELIMO, assegura que o seu partido está alheio ao atentado que caiu sobre a sede do jornal moçambicano. No entanto, algumas entidades apontaram como possíveis razões para o acontecimento o facto de o semanário Canal de Moçambique ter apostado fortemente na investigação dos casos de corrupção no país.

Nas redes sociais, mais de duas dezenas de cidadãos reagiram à comunicação do diretor do jornal, que deu conta do incêndio que deflagrou e reduziu a sede da publicação a cinzas. Um deles é Fonseca da Conceição, um leitor do jornal que se solidarizou com a publicação, dizendo: “meus sentimentos pelo sucedido. Ainda endereço meus parabéns pelo facto de, mesmo depois do incêndio, terem-nos mantido informados. Eu, particularmente, não tenho nenhuma inclinação política, ainda que isto alguns pensem que está relacionado, só posso dizer, força, força, força, força… e, por favor, (ergam-se) muito rápido. Nós precisamos muito das vossas imparciais noticias!”

Para além do semanário impresso ‘Canal de Moçambique’, no edifício que ardeu, também, alberga a sede do diário on-line ‘Canal Moz’, um diário on-line de redação conjunta com o supracitado semanário. Os dois jornais pertencem à empresa Canal I, uma organização que se decida à recolha e divulgação das notícias e que tem tido uma presença muito crítica no seio da sociedade moçambicana.

Os profissionais das publicações ‘Canal de Moçambique’ e ‘Canal Moz’ têm associado os ataques a tentativas de condicionamento do trabalho jornalístico no país, com vista a tirar a acutilância à imprensa privada. No entanto, os profissionais do jornal assumiram uma posição de força perante as hipotéticas ameaças, respondendo: "não recuamos nem um milímetro".

Depois dos atentados, o jornal eletrónico ‘Canal Moz’ continuou com a mesma postura crítica na publicação das notícias, não recuando "nem um milímetro", fazendo eco do seu grito de guerra ecoado depois do ataque.

Decorre, atualmente, uma campanha de angariação de meios financeiros para que o jornal possa reerguer-se das cinzas. 

Recorde-se que Moçambique encontra-se, neste momento, a braços com uma situação de ataques terroristas na província nortenha de Cabo Delgado, que já dizimou centenas de vidas inocentes.