CASO DE GEORGE FLOYD | Derek Chauvin Pode Apanhar Até 40 Anos de Prisão

CASO DE GEORGE FLOYD | Derek Chauvin Pode Apanhar Até 40 Anos de Prisão

O ex-policial, Derek Chauvin, acusado de ter morto George Floyd, já se encontra no banco dos réus e pode apanhar até 40 anos de prisão. A audiência iniciou com a célebre vídeo “I can´t breathe”.

“Nove-dois-nove” (9 minutos e 29 segundos), é o tempo da duração do vídeo que mostra como é que o afro-americano George Floyd foi morto. E foi com esta frase que o procurador do Ministério Público norte americano, Jerry Blackwell, abriu o julgamento do polícia Derek Chauvin, de Minneapolis.

Chauvin está a ser acusado por homicídio em 2.º grau, homicídio em 3.º grau e assassinato. Caso venha a ser condenado, pode apanhar até 40 anos de prisão.

Os outros três agentes que participaram na cena de violência e morte, ainda que de forma passiva, não deixaram as pessoas se aproximarem para tentar socorrer Floyd. Os policiais acabaram por ser despedidos, porque em momento algum impediram Derek Chauvin de prosseguir as suas ações violentas, e serão julgados em conjunto.

Christopher Martin, o empregado que atendeu George Floyd, foi ouvido em tribunal esta quarta-feira. No seu testemunho, disse que se lembrava bem de Floyd por ser um homem grande e por ter uma conversa longa sobre desportos. Realça ainda, que, a maneira de falar de Floyd era enrolada e “parecia que ele estava drogado”. Afirmou, ainda, que, este comprou tabaco com uma nota de 20 dólares, porém, a nota lhe pareceu falsa, mas, mesmo assim, aceitou vender-lhe o maço de tabaco e deu-lhe o troco. Em seguida, chamou a polícia, que deteve então George Floyd, que entretanto, já estava dentro do carro estacionado nas imediações.

A autópsia oficial de George Floyd demonstrou que ele tinha consumido opioides, que são substâncias tranquilizantes, e metanfetamina, que é estimulante, antes de ter morrido.

Os advogados de defesa de Chauvin dizem que o uso da força pelo policial "foi razoável", porque Floyd estava sob a influência de drogas. E que "as drogas contribuíram para a morte de Floyd".

A acusação do Ministério Público reconhece o uso das duas drogas, mas, afirma no entanto, que esse consumo não justificava, o contínuo abuso de força e pressão dos joelhos que o polícia Derek Chauvin fez no pescoço e no corpo de Floyd, já que o homem esparramado no chão disse repetidamente que não conseguia respirar. Vincou que o uso dos estupefacientes não foi a causa da morte. E sublinhou: "Não é George Floyd que está aqui em julgamento, é Derek Chauvin".

Segundo as informações do jornal “The Guardian”, as sessões em tribunal têm sido angustiantes. Nestes primeiros três dias várias testemunhas da cena de detenção, agressão e morte do homem afro-americano choraram e disseram que se sentiam culpadas por não terem sido capazes de ajudar e de salvar Floyd. E explicaram ainda, que, a sua raiva não era uma ameaça à polícia, mas sim, uma exigência de ação para ajudar Floyd enquanto ele implorava pela vida.

O júri analisou vários vídeos que foram gravados por testemunhas, ao qual se ouve vozes altas e coléricas, mas nenhum desses vídeos evidencia qualquer ameaça à segurança dos quatro polícias.

O Ministério Público está a tentar elaborar a tese de um grupo de polícias, capitaneados por Chauvin, que foram atrozmente indiferentes ao sofrimento de George Floyd e ao perigo que ele correu durante um período de tempo muito longo e muito agonizante.

ACG/Jornal Arquipélago-c\Jornal de Notícias | Cabo Verde - Palmarejo Grande | 2021