Conferência Cabo-verdiana de Filosofia, Literatura e Educação Acontece On-line

Conferência Cabo-verdiana de Filosofia, Literatura e Educação Acontece On-line

O curso de Filosofia da Universidade de Cabo Verde tem agendado a Terceira Conferência Cabo-verdiana de Filosofia, Literatura e Educação para o dia 15 deste mês. O encontro será de forma virtual, com a participação de quatro países. Esta informação foi avançada por Elter Carlos, Coordenador do Curso, numa entrevista concedida, ao Jornal Arquipélago.

Sabendo que nesta conferência pretendem pôr em diálogo as ‘áreas de filosofia, literatura, educação em Cabo Verde e no espaço lusófono, explica-nos como pretendem fazer isso?

 

As culturas da língua portuguesa se expressam muito através dessas áreas. Há a necessidade de se estudar uma filosofia, mais a cabo-verdiana, e, para isso, tem de se fazer via poesia e literatura. Assim como na Grécia, em que a filosofia nasce a partir da poesia, os grandes filósofos foram escritores e poetas. Está a acontecer a mesma coisa em Portugal.

 

Quando surgiu a ideia de organização deste tipo conferência na Universidade de Cabo Verde?

Este evento surge aquando do protocolo assinado, em 2013, no ano em que se realizou a primeira edição, com a presença do Movimento Internacional lusófona. Assinamos o protocolo com a Universidade de Cabo Verde e o Curso de Filosofia. Neste evento, sempre contamos com a participação de outras organizações, como o Instituto Camões, o Centro Cultural de Língua Portuguesa da Praia – que é o financiador –, o Instituto de Filosofia da Universidade do Porto e Movimento Internacional Lusófono, que são coorganizadores.

 

O que é que os co-organizadores têm a ganhar com este evento?

Sabendo que Camões é um instituto que promove a língua portuguesa e a literatura cabo-verdiana no espaço lusófono, assim como a Universidade do Porto e o Movimento Internacional Lusófono, principalmente a Universidade do Porto, que tem uma tendência contemporânea, na linha daquilo que estamos a viver agora. A tendência das novas tecnologias está a reduzir quase todas as expressões humanas a uma dimensão muito mais técnica, mas que, também, carece desse lado da humanidade, das artes, das letras e da filosofia.

 

Qual o motivo de demorar tanto tempo para dar continuidade com este tipo de evento?

A primeira edição foi em 2013, quando assumimos o Movimento Internacional Lusófona em Cabo Verde. Então, pensamos que seria uma forma interessante de explorar essas dimensões filosóficas, poéticas e literárias. Logo a seguir, em 2015, realizamos a segunda edição e agora, em 2020, surgiu muita motivação por causa das tecnologias que se está a aproveitar hoje em dia. Uma outra causa é a falta de financiamento. Por isso, este ano resolvemos convidar outros países para não sermos só nós de Cabo Verde. Já, a partir de agora, passaremos a realizar este tipo de evento de dois em dois anos e o próximo será em 2023.

Como seria apresentação nas próximas edições, já que este ano será realizada em plena pandemia da COVID-19?

Nos próximos anos, esperamos que a situação da pandemia passe e fazêmo-lo de uma forma presencial. Até mesmo, podemos pensar em fazer de uma forma mista, de forma a que todos possam participar, mesmo os que não possam estar presentes.

 

DSM / Jornal Arquipélago - 2020.