Orçamento 2021| Os Números e as Áreas de Investimento

Orçamento 2021| Os Números e as Áreas de Investimento

Cabo Verde contará, para 2021, com um Orçamento do Estado na ordem dos 77.896 milhões de escudos (706,4 milhões de euros), correspondendo a um aumento considerável em relação ao Orçamento retificativo aprovado em julho passado, na sequência dos ajustes orçamental que o governo teve que fazer por causa da crise provocada pelo novo coronavírus.

 

Tendo o país passado por uma recessão, em 2020, avaliada entre 7 por cento e 8,5 por cento, prevê-se, para o próximo ano, melhorias significativas, com um crescimento positivo da economia em torno dos 4,5 por cento. Isto dependerá da evolução do ciclo pandémico no país, na diáspora e no mercado emissor de turistas, uma vez que 25% do Produto Interno Bruto (total das riquezas produzidas no país) tem a base nas atividades correlacionadas ao turismo.

Os números do Orçamento:

Previsão da inflação: 1,2 por cento;

Défice orçamental: 8,8;

Taxa de desemprego:17,2%

Dívida pública: 145,9% do Produto Interno Bruto.

O país contou, em 2020, com uma queda no mercado do turismo na ordem dos 70 por cento, sendo que, a partir de março, com as medidas de ‘lockdown’ em todo o mundo, praticamente, a nível do turismo, tudo ficou parado. Em 2021, estima-se que haja um aumento do fluxo turístico no país que oscila entre os 22 por cento e os 35 por cento. Este não é um dado adquirido. Vai depender muito da evolução do surto pandémico na Europa, o continente de onde mais vem turistas para Cabo Verde

Realça-se que os montantes dos donativos para Cabo Verde poderão cair para menos de metade. Esta informação consta do ‘documento-suporte’ do Orçamento do Estado para o próximo ano, que adianta que, tanto os donativos como a ajuda orçamental, têm como finalidade o reforço da saúde primária, o reforço na educação num contexto de pandemia, a criação de emprego, a formação profissional, o suporte ao setor informal e a implementação do rendimento solidário para as famílias, sobretudo as afetadas nos seus recursos familiares pela pandemia do novo coronavírus.

Olavo Correia, vice-primeiro-ministro e ministro das Finanças, preocupado com um ecossistema pouco favorável montado pela pandemia, realça que é o momento em que o Estado tem que assumir a rédea da economia: “nunca o Estado foi chamado a intervir como hoje. E a intervenção do Estado significa gastar”. É tempo de o estado tentar ajudar a desatar esse nó na economia, que  afeta, de forma assinalável, tanto empresas como famílias.