PAICV Diz-se ‘Surpreendido’ com Saída da Sevenair de Cabo Verde

PAICV Diz-se ‘Surpreendido’ com Saída da Sevenair de Cabo Verde

O negócio da aviação nunca foi pacífico em Cabo Verde. Por isso, a transportadora aérea nacional nunca juntou os dois maiores partidos cabo-verdianos em torno de uma única visão do sector. Daí, não terem faltado críticas do MpD aos negócios da TACV (quando o PAICV era governo) e tampouco faltarem críticas do PAICV aos negócios da Cabo Verde Airlines (agora que MpD é governo). Os debates têm ofuscado todos os outros segmentos do aeronegócio (aeroportos, ‘handling’, formação de pessoal de cabines e pilotos) e o foco tem sido nas opções dos governos para a transportadora aérea. Fora deste segmento maior da aviação cabo-verdiana, está o sector dos aviões para transporte de doentes e vigilância das águas marítimas cabo-verdianas. Este, também, não tem reunido consenso entre os partidos do arco do poder. Por isso, logo depois de conhecida a decisão de saída da Sevenair dos céus das ilhas, o PAICV manifestou a sua ‘surpresa’ com o ‘fim do casamento’.

O acordo é de 2018. A informação sobre o fim do acordo é de 24 de Agosto. Neste meio tempo, o mundo teve que enfrentar a maior pandemia que alguma vez o grosso das várias gerações de viventes na Terra já enfrentou. Perante o fim do contrato entre o Governo e a Sevenair, o PAICV, maior partido da oposição, não ficou calado. Janira Hopffer Almada, líder do partido, escreve na sua conta do Facebook que “o PAICV alertou o Governo, desde aquela data (momento do lançamento do negócio) e insistentemente, que trocar o ‘nosso’ Dornier por aqueles Aviões ‘Casa’ que nos queriam entregar, não era um bom negócio para o País!”.

Os aviões CASA nunca chegaram a Cabo Verde porque a empresa Sevenair não encontrou vez na agenda de trabalhos da AIRBUS Militar. Pelo menos, esta é a informação avançada pela empresa portuguesa, depois de dois incumprimentos de prazos de entrega. Outrossim, o avião ‘Dornier’ não foi parar à Sevenair e nem está para reparação. O Governo diz que pretende vender o equipamento, uma vez que, feitas as contas, a sua reparação custará um montante que poderá fazer chegar a Cabo Verde um aparelho em melhores condições.

No Orçamento Retificativo que a pandemia provocada pela COVID-19 obrigou o governo a fazer, 600 mil contos era uma soma a grosso. Destino: um novo avião para operar no ‘mercado’ não comercial cabo-verdiano (evacuações, vigilância marítima, resgates, etc.).

No entanto, Janira Hopffer Almada mostra-se insatisfeita com todo este processo: “Hoje, depois de todos os ‘foguetes’, acompanhados de anúncios pomposos e regados de discursos de ‘solução’ para as evacuações (que a atual Maioria fez, na data em que se fez o Acordo com a Sevenair), somos surpreendidos com a rescisão de um contrato, num negócio mal planificado, porque, desde a primeira hora, não se estava a proteger os interesses do País e dos cabo-verdianos!

Tudo porque não existe uma Visão Estratégica para o País, que está a ser governado numa autêntica ‘navegação à vista’, numa espécie de ‘política de retalho’ e com autênticas medidas avulsas!”.

Os transportes aéreos continuam a ser um sector que divide os partidos do arco do poder. Na verdade, quase todos os sectores têm tido efeitos similares. Porém, nesse sector as dissonâncias são mais gritantes. PAICV e MpD continuarão a esgrimir posições. Enquanto isso, o país continua ilhas como sempre foi e como sempre haverá de ser. Serão sempre precisos aviões nos céus de Cabo Verde. Com entendimentos ou com dissensos.