REPORTAGEM | Quando a Covid-19 Vai à Escola

REPORTAGEM | Quando a Covid-19 Vai à Escola

A Covid-19 chegou tarde à ilha do Fogo, em comparação com Santiago, Boa Vista e São Vicente, mas já inspira preocupações aos pais e encarregados de educação, bem como a toda a população local. A Escola de Santa Filomena já registou o primeiro caso positivo e só no Liceu Teixeira de Sousa contam-se já três casos positivos. Preocupados com a situação, os pais já pedem que as escolas fechem as portas.

 

 

A Escola de Santa Filomena não é uma escola qualquer. Posiciona-se como o maior complexo educativo do concelho de São Filipe. Neste arranque do ano lectivo, acarretava tantas incertezas como todas as outras do país. Porém, o maior medo já começou a apresentar o seu rosto: conta-se, por agora, o primeiro caso positivo de infeção por Covid-19. As preocupações são muitas. Na componente da dessiminação no espaço, o novo coronavírus é muito célere. Os primeiros casos trazem sempre muitas preocupações. Com eles, por vezes, arrastam outros primeiros casos.

No Liceu Teixeira de Sousa, também na ilha do vulcão, já há três primeiros casos. Os pais e os encarregados de educação estão preocupados. É que o contágio entre alunos poderá, também, traduzir-se no contágio nos circuitos que os alunos percorrem diariamente: lugares ali na escola, transportes, casa, família. Por isso, alguns pais não querem viver como quem tenha uma espada sobre a cabeça. Pedem que as escolhas sejam encerradas e que os filhos fiquem em casa.

Neste novo ano lectivo, a cidade da Praia é a única que ficou de ‘portas fechadas’. O ritmo a que o vírus avança na capital do país deixa muitas incertezas. As Universidades começaram as aulas ontem... e com fortes medidas restritivas (desdobramento de salas, higienização do espaço, limpeza permanente, uso de máscaras e mais outras tantas medidas).

Na ilha de Boa Vista, as coisas começaram normalmente. Escolas abertas em todos os níveis de ensino. Todos os atores do sistema cientes do momento que se vive, mas os níveis de alerta não eram elevados. Dois dias depois do arranque das aulas presenciais, a 6 de Outubro, a ordem era para encerrar. No Liceu da Boa Vista, a COVID-19 já estava a circular por entre os professores. Desinfeção, limpeza, higienização, cuidados, álcool, álcool-gel, lixívia e mais e mais e mais... estes e muitos outros passaram a ser, mais do que em qualquer tempo que esta geração de humanos viveu, vócabulos de ordem dentro das escolas e de todas as insituições sociais.

Voltando ao Fogo. Escreve o jornal A Semana que, “referindo-se ao caso de Santa Filomena, a delegacia de Saúde de São Filipe do Fogo notificou, esta segunda-feira, 12, a escola local do resultado do aluno do primeiro ano de escolaridade, e na sequência, procedeu, segundo a Inforpress, à recolha de amostras para realização de testes PCR do docente e de alguns alunos, nomeadamente os que se sentavam à frente, na retaguarda e ao lado do aluno com resultado positivo”.

A notícia avançada pela Inforpress dá conta de medidas de isolamento domiciliar para os alunos e o professor afetos à sala onde foi detetado o caso positivo. A sala foi encerrada. Esta é um pouco a sina do presente ano letivo. Em França, os números não são assintomáticos. As aulas iniciaram-se a 1 de Setembro. Dezoito dias depois, eram duas mil e cem salas encerradas e 80 escolas fechadas. Tudo, devido ao surgimento de casos de COVID-19 por entre a comunidade educativa.Sobre esse assunto, na altura, a BBC escrevia que o governo francês ponderava que esse número representava “apenas 0,13% dos cerca de 60 mil estabelecimentos escolares do país, mas os casos de fechamento de escolas continuam aumentando diariamente, acompanhando a retomada das contaminações pelo novo coronavírus no país”.

Na Alemanha, logo na segunda semana de aulas, o problema já estava à vista. Uma grande parcela das instituições de ensino fundamental de Berlim já estava a braços com as infeções pela COVID-19. No ensino médio, tocava ‘a mesma música’. As escolas optaram por medidas de quarentena. “Contágios diários na Alemanha voltaram a atingir marca comparável às de abri”, escreve a DW, salientando que,“pelo menos 41 das 825 escolas do ensino fundamental e médio de Berlim registraram casos de covid-19 entre professores e alunos, menos de duas semanas após o reinício das aulas, informou nesta sexta-feira (21/08) o jornal Berliner Zeitung”.

Se continuarmos a viaja pela saga do fecho das escolas por causa da COVID-19, havemos de ver que, um pouco por todo o mundo, há dúvidas sobre o que este ano letivo de 2020-2021 será capaz de produzir. Cabo Verde não tem certezas. As medidas estão anunciadas. A delimitação do campo das ações está feita pela Direção Geral da Saúde, mas certezas sobre quem vai completar o ano letivo tranquilamente e quem vai passar por sufocos ainda não se tem. A procissão está no adro. Boa Vista e Fogo são apenas sinais de que, em matéria do novo coronavírus, nem na educação existe 100 por cento de assintomáticos.