Cabo-verdiano Foi Salvar-se em Portugal e Salvou Outra Vida

Cabo-verdiano Foi Salvar-se em Portugal e Salvou Outra Vida

A história de José Brito está, hoje, a ser divulgada em muitos meios de comunicação social portugueses. De pescador cabo-verdiano, José Brito passou a herói em Portugal, com direito a uma chamada telefónica do Presidente da República de Portugal, Marcelo Rebelo de Sousa. Tudo isso por ter salvo uma vida no Rio Tejo, ontem, quando passeava com o filho menor por Lisboa.

 

José Brito chegou a Portugal há dezasseis anos. Tudo porque lhe foi diagnosticado uma leucemia e tinha que fazer um transplante de medula óssea. A essa altura, por estas bandas, os tratamentos do género ainda eram rudimentares. Ou quase nulas. Tinha que se deslocar a Portugal para ir salvar a sua vida. Foi o que fez. E conseguiu se salvar. Ficou por Lisboa a viver. Afastou-se da vida de pescador que levava em Cabo Verde e foi meter-se na cozinha. E por lá foi fazendo a sua vida.

Durante esses dezasseis anos, José Brito viveu como qualquer cabo-verdiano arrastado pelo destino de emigração por terras lisboetas: um simples anónimo que luta para organizar a sua vida. Ontem, o mesmo destino que o atirou para Lisboa o tirou do anonimato: o destino de salvar vida.

Ao passear com o filho menor de idade por Lisboa, José Brito deparou com um corpo a boiar, de barriga para baixo, com a cara enterrada na água, nas margens do Rio Tejo. Outras pessoas viram o mesmo, mas não foram ao seu socorro. José Brito não ficou à espera que caísse, do Céu, um milagre para salvar aquela vida... ou que chegasse o Serviço de Socorro, entretanto, chamado. Despiu-se e lançou-se ao rio. Ali, a vida de pescador que tinha em Cabo Verde emprestou-lhe muita sabedoria para tomar a decisão que tomou. Conseguiu arrastar o corpo de dentro da água para a terra. O homem de 68 anos já se encontrava em situação de paragem cardiorrespiratória. Tanto José Brito como outras pessoas que se encontravam pelas redondezas, começaram a reanimação do homem resgatado.

O socorro só chegou dez minutos depois. Nessa altura, o homem já respirava normalmente. Ainda assim, pôde ser transportado, então, para o Hospital para as devidas averiguações e acompanhamento médico.

Com as imagens a correr o mundo, já que tudo foi filmado por pessoas que estavam ali perto, José Brito recebeu a atenção da mais alta figura da República Portuguesa: Marcelo Rebelo de Sousa, presidente de Portugal, telefonou-lhe para o seu telefone. Agradeceu-lhe o gesto e exaltou a sua coragem.

Quando se lhe pergunta se se sente um herói, José Brito responde que não. E diz mais: “faria tudo de novo”.