Patuá- A Língua Crioula Que se Assemelha ao Nosso

Patuá- A Língua Crioula Que se Assemelha ao Nosso

Quando pensamos nas línguas crioulas espalhadas pelo mundo, imaginamos que cada povo ou país tem o seu, o que é completamente diferente.

Mas e agora? Já pensaram alguma vez num crioulo com traços idénticos ao nosso?

Não, né? Então vou-lhes contar! 

A língua crioula de Cabo Verde se identifica com a língua crioula de Macau, que é conhecida por Patuá, Doci Papiaçam di Macau, ou ainda Macaista Chapado.

A língua crioula de Cabo Verde teve influências da língua portuguesa.O mesmo também aconteceu com o patuá no século XVI. Contudo esta não teve apenas a influência portuguesa, outras línguas também estiveram envolvidas, são estes: as línguas chinesas, malais e cingalesa. O crioulo de Macau também sofreu uma pequena influência do inglês, do tailandês, do japonês e de algumas línguas da Índia.

O Patuá desempenhou, ao longo dos tempos, um papel importante na comunicação intercultural entre China e Portugal, porém, atualmente permanece pouco estudado. 

No momento, continua a ser falado por um pequeno número de macaences que vivem em Macau ou no estrangeiro, na sua maioria já com uma idade avançada.

Este crioulo com o passar dos tempos, sofreu muitas mudanças gramaticais, fonéticas e vocabulário, isto tudo para dar respostas à evolução da demografia e da cultura de Macau.

O Patuá era dominado e falado por um grande número de macaenses e por alguns chineses de Macau, principalmente as esposas chinesas de portugueses. Para eles, o patuá é mais fácil de se aprender e pronunciar, visto que este crioulo tem influências chinesas. 

Até ao século XIX, ele tornou-se numa língua importante de comunicação entre os macaenses, os chineses e os portugueses, e contribuiu bastante para o desenvolvimento sócio-económico da Cidade. Mas, mesmo durante o seu apogeu, o número de falantes deste crioulo era relativamente baixa, não ultrapassando as dezenas de milhares.

Durante todo o Séc. XIX, muitos macaenses continuaram a falar o Patuá em oposição ao Potuguês-padrão usado pelas autoridades portuguesas de Macau, embora este crioulo não gozasse de nenhum estatuto oficial ou especial. Muitos usavam o Patuá como um meio para criticar satiricamente as autoridades.

Nos finais do Séc. XIX, a importância e o uso do Patuá diminuiu drasticamente porque o Governo Central de Lisboa começou a efectuar um conjunto de reformas educativas para implementar o português de Portugal em todas as colónias portuguesas, tornando-o numa língua-padrão. Macaenses de alto status social gradualmente deixaram de usar o Patuá e adotaram o Português-padrão ensinado nas escolas, tendo passado a encarar este crioulo como uma língua mais apropriada para as classes baixas, considerando-o um tipo de "Português primitivo".

DSM/Jornal Arquipélago