Kamala Harris Exalta a Força da Mulher Negra… “Yes, We Can”, de Novo

Kamala Harris Exalta a Força da Mulher Negra… “Yes, We Can”, de Novo

Depois de quatro anos em que Donald Trump assumiu a liderança da maior potência económica, política e militar do planeta, chegou a hora de dar uma “sacudidela” na coisa. E os americanos assim o fizeram. Assim o entenderam. Assim procederam. Assim o sacudiram. Trump, simplesmente, perdeu o norte… se, algum dia, o teve. Praticamente, declarou guerra à democracia. Por isso, um certo autor escreveu que, “se Bin Laden derrubou as Torres Gémeas, Donald Trump derrubou a Estátua da Liberdade”.

 

Os Estados Unidos da América não são um país qualquer. São, tão-somente, o país que se coloca, no plano planetário, como a bússola mundial, em termos de direitos, liberdades e garantias; em termos da democracia; em termos do respeito pela diferença, pelo pluralismo e pela diversidade de posições divergentes.

Nestas eleições de 2020 nos Estados Unidos, num primeiro plano confrontaram-se dois homens. Donald Trump, que foi tentar defender o seu mandato, e Joe Biden, que procurava carimbar, no seu ‘curriculum’, o título de Presidente dos Estados Unidos da América antes de partir para a reforma da política. Este venceu na procura de alcançar os seus propósitos. Aquele perdeu. E mostrou ser, para além de tudo o que relevou ao mundo nos últimos quatro anos, ser um mau perdedor. Não soube perder. E ficou a patinar no meio de tantas ‘trumpalhadas’. Em boa verdade, mais de metade do mundo estava a torcer para que Joe Biden ganhasse as eleições. Já estava farto das incertezas que Trump encerrou nos últimos quatro anos. Portanto, a vitória de Biden renovou as esperanças do mundo.

Joe Biden não ganhou as eleições sozinho. Com ele, ganhou Kamala Harris. Com ela ganharam as mulheres. Com ela, também, ganharam as negras. São muitas coisas que aconteceram nestas eleições presidenciais de 2020. Ganhou uma negra a posição de vice-presidente da maior potência do mundo. Logo, no ano em que, nessa mesma potência, um negro perdeu a vida porque não ‘conseguia respirar’: George Floyde, a 25 de Maio passado, nos Estados Unidos da América, porque um agente da polícia roubou-lhe o direito de respirar. E deixou o mundo incrédulo, sobre até onde a maldade humana poderá estender. Mas, Kamala Harris respirou. Respirou nestas eleições. E ela dá um sinal às mulheres dos EUA e do mundo inteiro que, ainda que haja uma tendência de virar o mundo de pernas para o ar, as mulheres ainda conseguem respirar; as negras conseguem respirar; enfim, os negros conseguem respirar. “Yes, we can”. Barack Obama o disse. Mas, o “yes, we can” não morreu com George Floyde. Continua vivo em Kamala Harris. Nós continuamos a “can”. Continuamos a poder. A poder sonhar. A poder lutar. E a poder realizar. "Yes, we can”, de novo.

Kamala Harris é hoje o número dois dos Estados Unidos da América. Com ela, abre-se uma porta de esperança para o futuro. Por isso, muito sábia, disse que tem a consciência de ser a primeira mulher a ser eleita Vice da maior potência económica, política e militar do mundo, mas não será, com certeza, a última. Com certeza que não. O mundo é isso mesmo. É um curso de água que corre na direção ao leito do rio. Não pode parar.

De 56 anos de idade, Kamala Harris é senadora desde 2016 e já ocupou a posição de Procuradora na Califórnia, estado onde nasceu. Isto foi entre 2004 e 2011. Kamala é filha de uma indiana e um Jamaicano. Essa mulher que foi muito bem recebida pelo mundo com a sua eleição, acabou de entrar para a história, exaltando um momento de muito orgulho para as mulheres. Não é apenas por ser a primeira negra a ocupar o cargo da Vice-Presidente dos EUA, mas, também, por ser a primeira de ascendência asiática a ocupar tal cargo. “We are the World”, cantou Michael Jackson.

O mundo da política alberga muitas contrariedades. É bem visível aqui mesmo nas nossas dez ilhas do arquipélago que a mulher sofre um grande estigma e que o povo ainda não está muito bem preparado para confiar na sua capacidade e na sua potencialidade, até ao ponto de colocá-la no poder para governar o país. Neste pequeno país, as mulheres que pretenderem se candidatar a um cargo de poder, têm que carregar, com elas, dois mundos: primeiro, sensibilizarem as pessoas para acreditarem nelas e, segundo, moldarem a mentalidade dos maridos, também, para acreditarem nelas. É preciso perceber que o homem não é nenhum iluminado que saiu de um ‘iluminismo’ especial. Homem e mulher são seres humanos e têm iguais possibilidades de êxito e de falhanço. Portanto, embora em Cabo Verde os princípios do empoderamento das mulheres e de igualdade do género estejam na ordem do dia, é preciso passar da ‘ordem do dia’ para ‘o dia em ordem’.

Kamala Harris, como número dois na Casa Branca, significa para as mulheres negras, o momento de celebração, de esperança, de muita confiança e de mais valor. Infelizmente, não é todos os dias que a mulher ocupa um estatuto tão histórico na sociedade.

A vitória de uma negra como número dois na Casa Branca gera um sentimento de confiança e valor para as mulheres negras em todo o mundo.  

 

Patrícia Gonçalves Varela | Jornalista | Colunista