Cabo Verde Vai Registar um “Ligeiro Agravamento” da Sub-Alimentação Devido à Pandemia

Cabo Verde Vai Registar um “Ligeiro Agravamento” da Sub-Alimentação Devido à Pandemia

O Ministro da Agricultura e Ambiente, Gilberto Silva, disse hoje durante a nona (IX) reunião ordinária do Conselho Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional, que Cabo Verde vai sofrer um “ligeiro agravamento” da sub-alimentação por causa da pandemia do novo coronavírus, avança a Inforpress.

Segundo o ministro, em 2016 Cabo Verde registou uma taxa de sub-alimentação de 13,8 por cento (%), em 2019 reduziu para 12,6%, mas agora com a pandemia da COVID-19, que teve um “impacto grande” na questão do emprego e rendimento das famílias, vai “degradar um pouco” este valor.

Neste sentido, afirmou que é necessário fazerem uma “análise profunda” e, para isso, está em curso um estudo para se avaliar o impacto da pandemia em Cabo Verde na situação da segurança alimentar e nutricional. Este estudo, assegurou, vai considerar as medidas de mitigação que o Governo implementou com o apoio dos parceiros, vai ter em conta todos os esforços que as famílias fizeram e o contexto de seca de três anos.

O Governo poderá definir as medidas de intervenção nos próximos anos nesta matéria, com o resultado do estudo e com uma base técnica e científica, sublinhou.

Contudo, para aumentar a taxa de melhoria de condições de segurança alimentar no País, Gilberto Silva afirmou que é necessário levar em conta vários aspectos, desde o estoque alimentar, aumento do rendimento das famílias, melhoria do conhecimento, ou seja, na educação e na sensibilização das famílias para as questões atinentes à dieta alimentar.

“Isto não tem a ver apenas com acesso físico aos alimentos, mas também com acesso financeiro e a própria soberania alimentar, a escolha dos alimentos que nós fazemos e que tem a ver com a nossa cultura”, precisou.

Durante o seu discurso, sublinhou que é necessário educar a sociedade, trabalhar no sentido de as crianças (0 aos 5 anos) sejam “bem alimentadas”, porque “uma criança mal nutrida será um adulto pouco produtivo” explicou.

Para o governante, há aqui uma panóplia “muito grande” de intervenções, de várias ordens e, por isso, é necessária uma “melhor articulação” entre as instituições para harmonizar as políticas numa trajectória ascendente.

Por sua vez, a representante da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) em Cabo Verde, Ana Touza, enalteceu o desempenho do Governo em fazer de tudo para manter a disponibilidade dos alimentos para todos, durante o período de confinamento internacional.

“O período de confinamento alterou a cadeia de valor a nível global e a logística de acesso ao alimento mudou, mas (…) Cabo Verde com a política que implementou conseguiu manter a disponibilidade de alimentos durante todo o período de enceramento”, parebenizou.

A mesma, afirmou ainda que apesar do aumento gradual dos preços de exportação internacional dos produtos alimentares de primeira necessidade, o Governo conseguiu manter o nível do preço a nível nacional.

Ana Touza assegurou que a FAO vai continuar a apoiar Cabo Verde em todos os aspectos, com vista a reduzir o impacto da pandemia na comunidade e nas famílias mais vulneráveis.

 

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PSL / Jornal Arquipélago c/ INFORPRESS | Cabo Verde - Palmarejo Grande | 2020

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