PRAIA | MpD Procura Sair do ‘Buraco’

PRAIA | MpD Procura Sair do ‘Buraco’

Depois de uma queda vertiginosa na Cidade da Praia, com queixa fecundas dos militantes que se dizem completamente abandonados pelas estruturas directivas do Movimento para a Democracia, o partido procura caminhos para sair do buraco. Isso, praticamente, a três meses das eleições, quando o PAICV procura passar a imagem de estar, por estas alturas, a ser ‘alimentado por nitrogénio’.

 

A queda do MpD, na Cidade da Praia, nas autárquicas de 2020, sacudiu um pouco as hostes do partido, mas, ainda assim, a Direção Nacional não mostrou, aos seus militantes, o mesmo nível de confiança que anda a solicitá-los. No que diz respeito a ações concretas ou atitudes que mostram que o partido tem um plano para evitar a ‘implosão política precoce’ nos próximos tempos, elas não são conhecidas do grande público. Por isso, alguns militantes mostram-se apreensivos. Os mais distantes praticamente estão ofuscados com o reaparecimento de uma grande massa de militantes e simpatizantes do PAICV que, com as conquistas de 2020, abriram uma janela de esperança sobre o seu futuro.

Toda a estratégia atual do PAICV, a funcionar, será dar um fim político a uma geração de dirigentes do MpD que, contra ventos e marés, procura resistir à queda. Assim, hoje, 3 de Dezembro, os deputados do MpD pelo círculo eleitoral da Praia procuram aproximar-se às instituições de caracter social, para se inteirarem do andamento dos trabalhos nesse setor tão sensível da sociedade cabo-verdiana. O mesmo setor que reclamou tanto da administração de Óscar Santos e que lhe deu um cartão vermelho. É que, apesar de todos os avanços que se conhece em Cabo Verde, o país continua com grandes bolsas de pobreza e estes  (os pobres), se não forem integrados no processo de desenvolvimento do país, também não estão disponíveis para cooperarem com esses políticos e essas políticas.

No programa dos deputados nacionais do MpD para esta quinta-feira, 03 de Novembro, consta uma visita à CCSL e Associados, às 09:00 horas, uma visita-encontro à Fazenda da Esperança da parte da tarde, às 14:30 horas,  visita-encontro ao Espaço Aberto Safende às 16:00 horas e Balanço da visita à imprensa no local (Espaço Aberto Safende) às 16: 20 horas.

Na sua Moção de Estratégia para a Concelhia Política do MpD na Praia deste mês de Dezembro, Alberto Mello reconhece o falhanço do partido a nível de trabalho desenvolvido junto da sua base. Assim, escreve o candidato a Coordenador que “a estrutura e ação política do MpD na capital eclipsou-se e deixou terreno livre para o seu adversário mais direto, que soube capitalizar as falhas, as omissões, as opções de uma governação fulanizada na pessoa do Presidente da Câmara e nas obras, importantes, mas insuficientes para garantir o êxito eleitoral, como ficou provado nas últimas eleições autárquicas”.

À margem de um encontro que Alberto Mello fez com os militantes do seu partido na localidade de Várzea (Cidade da Praia), o mesmo escreveu, na sua página de candidatura, que, “com a estagnação do Partido na capital – um dos fatores que levaram à derrota nas últimas eleições autárquicas -, Beta garante que a nova CPC pretende dobrar o número de militantes (atualmente à volta de 3.500) e chegar, mesmo, aos dez mil, começando a sua atividade pela organização e planeamento. E reafirmou que está disponível para fazer muito melhor e diferente no Partido, de mãos dadas com as pessoas, com os militantes e a base de apoio na capital”.

Ulisses Correia e Silva e toda a sua estrutura diretiva já devem ter ‘aterrado’ no partido. Devem ter percebido, muito bem, que as eleições de Março ou Abril próximo não serão um passeio. Janira Hopffer Almada recuperou terreno e está pronta para disputar palmo a palmo o terreno político do país. E, não está a brincar. Parte da estratégia para a Praia vai ser utilizada: trabalho meticuoloso. Antes, era uma Praia para Todos. Hoje, vai ser um Cabo Verde para todos. Isso pode ser apenas um chapéu. O corpo que carregará o chapéu ainda não é conhecido. Ninguém consegue ler os seus planos. Mas, eles já devem estar em cima da mesa.

Num terreno movediço como aquele em que o MpD se meteu na Cidade da Praia, a brincadeira acabou. Ulisses Correia e Silva percebeu agora que muitos militantes passaram um troco de afastamento ao seu partido: entendem que o Partido não esteve com eles nesses quatro anos e, também, não estiveram com o Partido nas autárquicas e, se nada se fizer, não estarão com ele nas legislativas. Por isso, Ulisses Correia e Silva dá um ténue sinal de querer fazer uma inversão de caminhos, olhando para o lado. Assim, a 5 de Dezembro, pretende encontrar-se com os militantes da Praia no Auditório Nacional, Cidade da Praia. Porém, isso não é suficiente. O militante ou simpatizante chateado não vai atrás dele. É que, quando se aproximam os períodos eleitorais, por norma, os militantes e simpatizantes dos partidos – sobretudo quando se queixam da falta de atenção da parte dos partidos –, também ficam mais ‘finos’. Eles também têm as suas manias. Não vão. É preciso ir-se atrás deles.

A recuperação do PAICV não caiu do céu. Resultou de muitos erros do MpD. Mas, também, resultou de muito trabalho do próprio PAICV. Janira Hopffer Almada não está disposta a parar de caminhar. Ela quer a Chefia do Governo. Há uns meses atrás, até poderia tem olhos em 2026. Mas, agora mudou de ideia. Quer chegar ao poder agora. Já nos próximos meses. E tem já um batalhão de homens e mulheres prontos para lutar por isso. Na verdade, a luta já começou. Em qualquer disputa, a luta é ganha batalha a batalha. Hopffer Almada está disposta a enfrentar as batalhas todas até à meta. Está em crescimento. Ulisses tem que estancar a hemorragia. Se não conseguir isso, será o primeiro chefe do governo, eleito pelo povo, a cair ao fim de um mandato. Gualberto do Rosário é o que menos tempo teve à frente da governação do país. Qualquer coisa como um ano. Mas, tomou o partido num processo de transição. Não chegou a ser eleito.

 

ANÁLISE – Jornal Arquipélago | 2020.