Investigadores Querem Mudança da Política Linguística em Cabo Verde

 Investigadores Querem Mudança da Política Linguística em Cabo Verde

Um grupo de linguistas, professores de línguas e literaturas e vários outros actores da sociedade pretendem entregar, hoje, ao Presidente da República, Jorge Carlos Fonseca, uma petição para a mudança da política linguística cabo-verdiana.

O documento subscrito por mais de duzentas personalidades cabo-verdianas, entre investigadores linguistas, professores de línguas e literaturas, escritores, artistas, estudantes de graduação, educadores, activistas e outros profissionais, já têm já em mãos a petição que será entregue, hoje, a Jorge Carlos Fonseca.

Conforme uma nota de imprensa da qual a Inforpress teve acesso, trata-se da “primeira iniciativa cívica”, com o objectivo de fazer chegar aos órgãos de soberania o apelo deste grupo de promotores, que chama a atenção para a “extrema importância” de uma “resolução satisfatória” da questão linguística em Cabo Verde, enquanto “fenómeno social constitutivo do desenvolvimento humano de um modo geral”.

A petição vai ser ainda entregue aos presidentes de todos os partidos políticos e cabeças-de-lista de todos os círculos eleitorais, de modo a chegar aos candidatos a deputados da Assembleia Nacional.

O objetivo da petição é apelar aos candidatos a deputadas e o futuro Governo a considerarem “com urgência” medidas legislativas necessárias à mudança da política linguística para uma “mais justa e mais respeitadora” da ecologia linguística da nação e dos “direitos humanos de natureza linguística”.

Por altura do Dia Mundial da Língua Materna, assinalada a 21 de Fevereiro, o Presidente da República, Jorge Carlos Fonseca, na sua mensagem alusiva à data, reiterou a necessidade da realização de estudos, numa perspectiva multidisciplinar, que apontem “caminhos seguros” a serem seguidos, tendo em vista a afirmação da língua materna cabo-verdiana.

Ainda nessa data, o Presidente da República declarou que a língua cabo-verdiana “não está em risco”, mas “enfrenta desafios de outra natureza”, como a problemática da sua relação com a língua portuguesa, que, na sua perspectiva, tem dificultado “o domínio correcto desta, que é língua oficial, e a normativização de diversos aspectos da língua materna”.

Contudo, salientou, como todo o fenómeno social, a língua cabo-verdiana resulta e é parte de “um processo muito complexo” que, ao conformar a identidade de um determinado modo, criou esse idioma como “um dos seus alicerces, pedaço vibrante da alma do povo cabo-verdiano”.

PLS/Jornal Arquipélago-c/Inforpress| Cabo Verde - Palmarejo Grande | 2021