Tensão e Troca de Acusações Marcam o Primeiro Encontro entre Representantes dos Estados Unidos e da China

Tensão e Troca de Acusações Marcam o Primeiro Encontro entre Representantes dos Estados Unidos e da China

As Delegações reunidas em Anchorage, no Alasca, deram que falar no primeiro encontro entre China e Estados Unidos, onde acusações de parte a parte, foram feitas criando um clima de conflito durante mais de uma hora.

As relações entre Estados Unidos e China são complexas e multifacetadas. Além da guerra comercial constante, os direitos humanos trazem um contraste entre os países que foi intensificado na primeira reunião de alto nível desde que Joe Biden assumiu a Presidência norte-americana.

A esperança estava exposta nesta reunião após anos de conflitos durante a presidência de Donald Trump, mas a discussão manteve-se, desta vez, com enfoque em diversos temas controversos.

O secretário de Estado, Antony Blinken, afirmou que os norte-americanos discutiriam “preocupações profundas”, referindo-se a problemáticas como as ações chinesas em Xinjiang, Hong Kong e Taiwan, ataques cibernéticos aos Estados Unidos e a coerção económica a seus aliados.

Yang Jiechi, principal diplomata do país asiático, rebateu as afirmações dos americanos, dando destaque a discussão sobre Direitos Humanos, “esperamos que os Estados Unidos façam mais pelos direitos humanos. O facto é que há muitos problemas dentro dos Estados Unidos em relação aos direitos humanos, que são admitidos pelos próprios EUA”, disse em um discurso de 15 minutos, que pareceu incomodar Blinken.

Já Blinken, respondeu as provocações, trazendo novamente os temas iniciais que traziam “preocupações profundas” para os Estados Unidos. “Cada uma dessas ações ameaça a ordem baseada em regras que mantêm a estabilidade global. É por isso que eles não são apenas assuntos internos, e por isso sentimos a obrigação de levantar essas questões aqui hoje”, sublinha Blinken.

A troca de acusações continuou com Yang a trazer à tona, referindo, mais uma vez, as violações aos direitos humanos nos EUA, caracterizando-as como “profundas”. “Elas não surgiram apenas nos últimos 4 anos, como Black Lives Matter”, e ainda acrescentou, “os Estados Unidos usam sua força militar e hegemonia financeira para realizar jurisdição de braço longo e suprimir outros países. Abusa das chamadas noções de segurança nacional para obstruir as trocas comerciais normais, e incitar alguns países a atacar a China”

Os ataques de parte a parte foram constantes, levando Yang a referir que é necessário abandonar uma "mentalidade de Guerra Fria" e o confronto entre os países.

Antes de assumir o cargo, Biden tinha sido atacado por republicanos que temiam que seu governo fosse muito brando com a China. Mas grande parte da política chinesa de Biden ainda está a ser formulada.

As observações de abertura de Blinken e Yang, estiveram abertas à mídia, duraram mais de uma hora, muito mais do que é habitual, em reuniões de alto nível.

Quando as conversas passaram para um registo mais privado, a tensão parece ter reduzido consideravelmente, e espera-se que as delegações mantenham mais negociações esta sexta-feira. “As conversas que se seguiram foram substantivas, sérias e directas”, disse um responsável norte-americano ao South China Morning Post. 

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