SANTA CRUZ | População Está Indignada com Serviços de ADS

SANTA CRUZ | População Está Indignada com Serviços de ADS

A população da localidade de Achada Igreja, no Concelho de Santa Cruz, interior da ilha de Santiago, está descontente com os serviços prestados pela empresa Águas de Santiago (AdS). A tónica tem a ver, essencialmente, com a qualidade do produto disponibilizado pela empresa intermunicipal de água da ilha de Santiago.

 

Hildegarda Moreira, conhecida por Béti, residente na localidade de Achada Igreja, diz que a água fornecida pela AdS é de péssima qualidade, estando-lhe a causar transtornos em termos de saúde, como alta na tensão arterial e problemas renais. Para espelhar aquilo que considera ser a má qualidade da água servida na localidade, Béti diz que, ao lavar os depósitos, observa resíduos de calcário no fundo dos mesmos. A moradora afirma, ainda, que a água está a ser comercializada a um preço elevado, salientando que vive sozinha e que consome, por mês, uma tonelada de água e paga, em média, setecentos escudos. Segundo a mesma, no mês de menor consumo, paga aproximadamente quatrocentos escudos.

Maria Mendes, conhecida no seu meio social como Sonza, também da Achada Igreja, afirma que a facturação da água de AdS está exagerada e que muitas pessoas estão a pagar valores que não correspondem à quantidade de água consumida. “Nas duas últimas faturas, paguei quatro mil escudos cada. Não entendo como é possível. Nem quando estou a trabalhar consigo gastar quatro mil escudos de água, visto que o trabalho não é todos os dias, senão, apenas algumas horas, o que, em média, dá duas toneladas de água”, realça.

Para Maria Mendes, a água fornecida pela AdS tem um sabor amargo. Por isso e por outros motivos, prefere comprar a água que é transportada nos carros, oriundos da Cidade da Praia e dos outros concelhos do País.

Francisca Tavares (conhcida por Lita), mais uma moradora da Achada Igreja, diz que por causa dessas situações, há quase um mês, tem estado sem abastecimento de água e que a empresa AdS está a ser parcial na distribuição desse bem, escolhendo casas para estabelecer corte da água, argumentando que, em muitas moradias da localidade, havia e há pessoas com faturas em atraso e que, até ainda, nas suas casas, não foram realizadas cortes no acesso à água.

Quanto à aquisição de água, Lita sustenta que, quando encontra algum dinheiro, compra um tanque de água para o seu consumo e quando lhe falta dinheiro pede na casa dos vizinhos, sem observar para o descontentamento na cara deles.

As moradoras Béti, Sonza e Lita, indignadas, dizem que a água, muitas vezes, leva mais de três dias para chegar à casa das pessoas que vivem na localidade. Apelam à AdS a mudar a qualidade da água, não cobrar a taxa de oito escudos sem a pessoa usufruir da mesma, manifestando o desejo de ver o serviço de abastecimento da água voltar à tutela da Câmara Municipal de Santa Cruz.

Em resposta às reclamações dos consumidores da Achada Igreja, a empresa AdS (Águas de Santiago), através de um comunicado realça que, infelizmente, não dispõe de nenhum registo de reclamação dos clientes relativamente à qualidade e falta da água na referida localidade.

 A AdS apela a esses consumidores a se dirigirem ao balcão situado na loja dos Correios de Cabo Verde para a formalização das reclamações, de modo a avaliarem a situação e atuar sobre qualquer anomalia.

A empresa salienta, ainda, que o abastecimento da água à Achada Igreja é feito nos seguintes dias: segunda, quarta, quinta, sábado e domingo, no período da manhã. Aproveita para agradecer a compreensão de todos, lamentando os possíveis constrangimentos causados.

Porém, é de se realçar que reclamações semelhantes às de Béti, Sonza e Lita são observadas em diferentes localidades do município de Santa Cruz, terra de agro-pecuária e pesca.

 

NP / Jornal Arquipélago – 2020.